O que é CDI e quanto rende 100% do CDI na prática?
Se você já se fez alguma dessas perguntas, está em boa companhia. O CDI é uma das siglas mais usadas no mundo dos investimentos brasileiros — e uma das menos explicadas de forma simples.
Por Henrique Soares, VMB Invest
Niterói (RJ), 15/06/2026
Você abre o extrato do banco, vê que seu CDB rende “100% do CDI” — e percebe que não faz ideia do que isso significa na prática. Quanto é isso em reais? É bom ou ruim? E o que é o CDI afinal?
Neste guia, você vai entender o que é o CDI, por que ele aparece em quase todo investimento de renda fixa, quanto rende 100% do CDI na prática e como ele se compara com outros indexadores como a Selic, o IPCA e o IGPM. Em linguagem direta, sem fórmula complicada.
CDI — a sigla que aparece em quase todo investimento de renda fixa
CDI significa Certificado de Depósito Interbancário. O nome é técnico, mas a lógica é simples: é a taxa que os bancos cobram uns dos outros quando emprestam dinheiro entre si.
Todo dia, os bancos fecham o caixa e precisam equilibrar as contas. Quem terminou o dia com mais dinheiro do que o necessário empresta para quem terminou com menos — e a taxa desse empréstimo interbancário é o CDI.
Por que isso importa para você: o CDI virou o principal termômetro de rentabilidade da renda fixa no Brasil. Quando um banco lança um CDB que paga “100% do CDI”, ele está dizendo que vai remunerar o seu dinheiro exatamente pela taxa que os bancos cobram entre si — que é, na prática, muito próxima da Selic.
O CDI não é um investimento — é uma taxa de referência. Assim como o IPCA mede a inflação, o CDI mede o custo do dinheiro no mercado interbancário. E é a partir dele que a maioria dos produtos de renda fixa define sua rentabilidad
Por que o CDI fica tão próximo da Selic?
Essa é uma das dúvidas mais frequentes — e a resposta é mais simples do que parece.
A Selic é a taxa básica de juros da economia, definida pelo Banco Central a cada reunião do Copom. O CDI é a taxa do mercado interbancário — definida pelas próprias negociações entre bancos.
Por que andam juntos: os bancos não vão emprestar dinheiro entre si por uma taxa muito diferente da Selic. Se o Banco Central oferece títulos públicos a uma taxa X, nenhum banco vai pagar mais do que X para tomar dinheiro emprestado de outro banco — e nenhum vai emprestar por menos. Por isso o CDI orbita sempre muito próximo da Selic, geralmente com diferença de apenas 0,10% ao ano.
Na prática, para o investidor pessoa física, CDI e Selic são quase sinônimos quando se fala de rentabilidade. A diferença existe, mas é pequena o suficiente para não mudar a lógica da comparação entre produtos.
O que significa um CDB que rende 100% do CDI?
Quando um CDB diz que rende 100% do CDI, significa que ele vai remunerar o seu dinheiro exatamente pela taxa CDI do período — nem mais, nem menos. Se o CDI estiver em 13% ao ano, o CDB vai render 13% ao ano. Se o CDI cair para 10%, o CDB rende 10%.
Mas os produtos de renda fixa raramente oferecem exatamente 100% do CDI. O percentual varia — e entender o que cada número significa é o que permite comparar produtos de forma inteligente:
90% do CDI
CDBs de bancos médios, referência de mercado
CDBs de bancos menores, prazos mais longos
Bancos menores, maior prazo ou menor liquidez
Atenção: um percentual mais alto do CDI não significa necessariamente melhor negócio. Um CDB que paga 110% do CDI mas cobra taxa de administração alta, ou que não tem liquidez quando você precisa, pode ser pior do que um CDB de 100% sem taxas e com liquidez diária. O rendimento líquido é o que importa.
CDI, Selic, IPCA e IGPM — qual a diferença entre os indexadores?
O CDI não é o único indexador que aparece no mundo dos investimentos. Entender a diferença entre os principais é o que permite escolher o produto certo para cada objetivo:
Dois pontos importantes para não errar na comparação:
- O IR incide sobre o rendimento do CDB conforme a tabela regressiva — 22,5% até 180 dias, chegando a 15% acima de 720 dias. Para prazos curtos, o rendimento líquido cai bastante.
- A poupança é isenta de IR, mas rende menos. Para a maioria dos perfis e prazos, um CDB a 100% do CDI rende mais do que a poupança mesmo depois do imposto.
Quanto rende 100% do CDI na prática?
Vamos aos números. Com a taxa CDI atual de [PREENCHER: taxa CDI % ao ano], veja quanto R$ 10.000 rendem em diferentes prazos e percentuais — antes do IR:
Como usar essa tabela na prática: se o seu objetivo é proteger o dinheiro da inflação no longo prazo, o IPCA é o indexador mais relevante — e o Tesouro IPCA+ é o produto que usa essa lógica. Se o objetivo é liquidez e rendimento no curto prazo, o CDI é a referência certa. O IGPM perdeu espaço nos investimentos e hoje aparece principalmente em contratos de aluguel.
CDB a 100% do CDI vale a pena?
Depende — e essa é sempre a resposta honesta quando o assunto é investimento.
Um CDB a 100% do CDI é uma boa referência de mercado. Não é o produto com maior rentabilidade disponível, mas é seguro, simples e amplamente oferecido. A pergunta certa não é se vale a pena em abstrato, mas se vale a pena comparado às suas alternativas — dado o seu prazo e objetivo.
Compare sempre com LCI e LCA: como vimos no post sobre CDB, LCI e Tesouro Direto, a LCI e a LCA são isentas de IR para pessoa física. Uma LCI que rende 90% do CDI pode ter rendimento líquido maior do que um CDB a 100% do CDI depois do imposto — especialmente em prazos mais curtos, quando a alíquota de IR é mais alta.
O prazo importa: para quem vai precisar do dinheiro em menos de 6 meses, o IR de 22,5% sobre o rendimento do CDB reduz bastante o retorno líquido. Para prazos acima de 2 anos, a alíquota cai para 15% e o CDB se torna mais competitivo.
A conclusão prática: um CDB a 100% do CDI com liquidez diária é uma das melhores opções para reserva de emergência — seguro, acessível e com rendimento consistentemente acima da poupança. Para objetivos de médio e longo prazo, vale comparar com LCI, LCA e Tesouro Direto antes de decidir.