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CARTA DE MERCADO


Panorama Macroeconômico
Global e Cenário Doméstico

Cessar-fogo no Oriente Médio alivia commodities, dólar recua e super quarta concentra as atenções.
No Brasil, Copom deve cortar Selic em 0,25 p.p. mesmo com inflação persistente.

Por Saulo Cesar
AAI – ANCORD · Assessor de Investimentos

Niterói (RJ), 15/06/2026


15,50%

Selic

corte de 0,25 p.p. esperado

3,5–3,75%

Fed funds

manutenção esperada

R$ 5,07

USD/BRL

corte de 0,25 p.p. esperado

4,72%

IPCA 12m

Focus 2026: 5,30%

Macroeconomia — Brasil e Mundo

Contexto Internacional


A semana começou com fortes expectativas para ativos de risco após Estados Unidos e Irã assinarem um acordo de paz preliminar que estende o cessar-fogo por 60 dias, período no qual os países irão discutir os detalhes de um acordo final. As exigências dos EUA focam principalmente na interrupção das atividades nucleares do Irã. Em contrapartida, os iranianos pedem o descongelamento de ativos na ordem de US$ 25 bilhões, além do fim de sanções às exportações de petróleo do país.

Enquanto um acordo definitivo não é assinado, o arrefecimento do conflito já mostra seus efeitos no mercado, com o petróleo Brent perdendo o nível dos US$ 80, aliviando a pressão inflacionária que a commodity causa nas cadeias produtivas. Seguindo essa dinâmica, o dólar perde tração, sendo cotado a R$ 5,07, o alívio nos juros futuros força o fechamento da curva a termo, com o mercado queimando prêmio de risco e buscando investimentos mais arrojados em um cenário macro menos volátil e mais previsível.

“O arrefecimento do conflito já mostra seus efeitos no mercado — o petróleo Brent perdeu o nível dos US$ 80 e o dólar cede para R$ 5,07.”

Uma vez que o ambiente global elimina os ruídos do conflito, a política monetária domina o noticiário. Na quarta, o Fed anuncia suas decisões sobre as taxas de juros, atualmente no nível de 3,5 a 3,75%. A reunião, a primeira a ser presidida pelo novo chairman Kevin Warsh, divide opiniões de analistas acerca da decisão que será tomada pelo Banco Central, entre manutenção e aumento dos juros. A expectativa maior é pela manutenção, diante de uma inflação persistente (4,2% nos últimos 12 meses), uma economia resiliente e dados fortes de mercado de trabalho.

Por fim, a estreia da SpaceX na bolsa na última sexta-feira movimentou o maior IPO da história, na casa dos US$ 85 bilhões, fazendo com que a empresa fosse avaliada em mais de US$ 2 trilhões. Hoje, as ações já registram valorização de mais de 40%.

Contexto Doméstico


Na quarta-feira (17), o Copom decide sobre a taxa de juros, atualmente em 14,50%. A expectativa é de um corte de 0,25 p.p. na taxa básica de juros, com rumores de que talvez esse seja um dos últimos cortes antes de uma manutenção, diante de um cenário de inflação persistente, em 4,72% nos últimos 12 meses. Apesar das quedas das taxas dos DIs por conta da trégua de 60 dias do conflito no Oriente Médio, o Boletim Focus dessa semana seguiu a sequência que se observa há treze semanas, de revisão altista da inflação, saindo de 5,11 para 5,30% ao fim de 2026. Para a taxa Selic, a previsão para o fim de 2026 passou de 13,5 para 13,75%.
“O Boletim Focus segue há treze semanas com revisão altista da inflação — de 5,11% para 5,30% ao fim de 2026.”
No cenário eleitoral, um levantamento da Futura/Apex apontou o presidente Lula à frente com 48,1% das intenções de voto contra 42,9% de Flávio Bolsonaro em eventual 2º turno. Outro estudo, da Real Time Big Data, mostra Flávio Bolsonaro com 47% contra 44% de Lula em São Paulo — configurando empate técnico no maior colégio eleitoral do Brasil, com mais de 32 milhões de eleitores. Por fim, o ministro da Fazenda, Dario Durigan defendeu uma revisão na metodologia de cálculo do IPCA, argumentando que a atual composição está defasada e dá peso excessivo a itens que perderam relevância. Segundo o ministro, serviços modernos, como assinaturas de streaming e nuvem, deveriam ter uma ponderação maior, embora ele seja contra alterar a meta de inflação.

Ponto de Atenção da Semana

Calendário econômico


A super quarta (17) trará decisão de juros nos Estados Unidos e no Brasil. O Fed decide a tarde, se mantém ou aplica um corte de 0,25 p.p. na taxa de juros, atualmente 3,5 a 3,75%. As apostas se concentram em manutenção e, futuramente, para as próximas reuniões, possíveis aumentos.

No Brasil, o cenário mais provável é de corte de 0,25 p.p., em linha com as expectativas do mercado. Espera-se mais um ou dois cortes ao longo do ano, antes de uma manutenção. A dinâmica dos futuros movimentos certamente passará pelos desfechos do conflito no Oriente Médio.

Qua 17/06

Decisão do Copom — taxa Selic
Expectativa de corte de 0,25 p.p. para 14,25%

Qua 17/06

Decisão do Fed — taxas EUA
Expectativa de manutenção em 3,5–3,75%

Sex 19/06

IPO SpaceX — estreia em bolsa
Maior IPO da história — avaliação de US$ 2 trilhões

Impacto Esperado sobre os Ativos


As decisões de juros tendem a melhorar o cenário para ativos de risco. Embora o Fed provavelmente mantenha a taxa estável, o alívio do conflito reduz os prêmios de risco, e os juros futuros tendem a ceder. No Brasil, podemos ver o Ibovespa recuperando, aos poucos, patamares perdidos ao longo da retração iniciada em meados de abril. No entanto, com o petróleo cedendo, a Petrobras, que responde por mais de 10% no peso do índice, pode travar grandes retornos.

  • Juros futuros em queda — prêmio de risco cedendo
  • Ibovespa em recuperação gradual
  • Dólar recuando para R$ 5,07
  • Ambiente macro mais previsível
  • Petrobras (+10% do Ibovespa) pode travar grandes retornos com o petróleo cedendo