Quanto rende 100% do CDI — e o que é CDI, afinal?
Se você pesquisou quanto rende 100 do CDI, provavelmente passou por isto: abriu o extrato do banco, viu que seu CDB rende “100% do CDI” — e percebeu que não faz ideia do que isso significa na prática. Quanto é isso em reais? É bom ou ruim? E o que é o CDI, afinal?
Niterói (RJ), 15/06/2026
Se você já se fez alguma dessas perguntas, está em boa companhia. O CDI é uma das siglas mais usadas no mundo dos investimentos brasileiros — e uma das menos explicadas de forma simples.
Neste guia, você vai entender o que é o CDI, por que ele aparece em quase todo investimento de renda fixa, quanto rende 100% do CDI com os números de hoje e como ele se compara com outros indexadores como a Selic, o IPCA e o IGPM. Em linguagem direta, sem fórmula complicada.
O que é CDI — a sigla que aparece em quase todo investimento de renda fixa
CDI significa Certificado de Depósito Interbancário. O nome é técnico, mas a lógica é simples: é a taxa que os bancos cobram uns dos outros quando emprestam dinheiro entre si.
Todo dia, os bancos fecham o caixa e precisam equilibrar as contas. Quem terminou o dia com mais dinheiro do que o necessário empresta para quem terminou com menos — e a taxa desse empréstimo interbancário é o CDI.
Por que isso importa para você: o CDI virou o principal termômetro de rentabilidade da renda fixa no Brasil. Quando um banco lança um CDB que paga “100% do CDI”, ele está dizendo que vai remunerar o seu dinheiro exatamente pela taxa que os bancos cobram entre si — que é, na prática, muito próxima da Selic.
O CDI não é um investimento — é uma taxa de referência. Assim como o IPCA mede a inflação, o CDI mede o custo do dinheiro no mercado interbancário. E é a partir dele que a maioria dos produtos de renda fixa define sua rentabilidade.
CDI e Selic: qual a diferença — e por que andam sempre juntos?
Essa é uma das dúvidas mais frequentes — e a resposta é mais simples do que parece.
A Selic é a taxa básica de juros da economia, definida pelo Banco Central a cada reunião do Copom. O CDI é a taxa do mercado interbancário — definida pelas próprias negociações entre bancos.
Por que andam juntos: os bancos não vão emprestar dinheiro entre si por uma taxa muito diferente da Selic. Se o Banco Central oferece títulos públicos a uma taxa X, nenhum banco vai pagar mais do que X para tomar dinheiro emprestado de outro banco — e nenhum vai emprestar por menos. Por isso o CDI orbita sempre muito próximo da Selic, geralmente cerca de 0,10 ponto percentual abaixo. Hoje, com a Selic em 14,25% ao ano, o CDI roda em torno de 14,15%.
Na prática, para o investidor pessoa física, CDI e Selic são quase sinônimos quando se fala de rentabilidade. A diferença existe, mas é pequena o suficiente para não mudar a lógica da comparação entre produtos.
O que significa um CDB que rende 100% do CDI?
Quando um CDB diz que rende 100% do CDI, significa que ele vai remunerar o seu dinheiro exatamente pela taxa CDI do período — nem mais, nem menos. Com o CDI em 14,15% ao ano, o CDB rende 14,15% ao ano. Se o CDI cair para 12%, o CDB passa a render 12%.
Mas os produtos de renda fixa raramente oferecem exatamente 100% do CDI. O percentual varia — e entender o que cada número significa é o que permite comparar produtos de forma inteligente:
Atenção: um percentual mais alto do CDI não significa necessariamente melhor negócio. Um CDB que paga 110% do CDI mas não tem liquidez quando você precisa pode ser pior do que um CDB de 100% com liquidez diária. E um percentual muito acima do mercado geralmente embute mais risco de crédito do emissor. O rendimento líquido — e o risco por trás dele — é o que importa.
Quanto rende 100% do CDI na prática?
*Simulação aproximada, sem aportes, considerando CDI constante. O rendimento real depende da variação diária do CDI e da alíquota de IR conforme o prazo.
Repare no detalhe que a tabela revela: uma LCI a 90% do CDI empata com um CDB a 110% do CDI no prazo de 12 meses — porque a LCI é isenta de imposto. É por isso que comparar só o percentual do CDI, sem olhar a tributação, leva a conclusões erradas.
Dois pontos importantes para não errar na comparação:
- O IR incide sobre o rendimento do CDB conforme a tabela regressiva — 22,5% até 180 dias, 20% de 181 a 360 dias, 17,5% de 361 a 720 dias e 15% acima de 720 dias. Para prazos curtos, o rendimento líquido cai bastante.
- A poupança é isenta de IR, mas rende muito menos: com a Selic atual, um CDB a 100% do CDI entrega cerca de R$ 370 a mais por ano a cada R$ 10.000 investidos, mesmo depois do imposto.
CDI, Selic, IPCA e IGPM — qual a diferença entre os indexadores?
O CDI não é o único indexador que aparece no mundo dos investimentos. Entender a diferença entre os principais é o que permite escolher o produto certo para cada objetivo:
| Indexador | O que mede | Onde aparece | Quando é relevante |
|---|---|---|---|
| CDI | Taxa do mercado interbancário | CDB, LCI, LCA, fundos DI | Referência para renda fixa pós-fixada |
| Selic | Taxa básica de juros definida pelo BC | Tesouro Selic, referência geral | Benchmark da economia — influencia todos os outros |
| IPCA | Inflação oficial do Brasil (IBGE) | Tesouro IPCA+, debêntures incentivadas | Proteção do poder de compra no longo prazo |
| IGP-M | Inflação medida pela FGV | Contratos de aluguel, alguns títulos antigos | Menos usado em investimentos atualmente |
Como usar essa tabela na prática:
Se o seu objetivo é proteger o dinheiro da inflação no longo prazo, o IPCA é o indexador mais relevante — e o Tesouro IPCA+ é o produto que usa essa lógica. Se o objetivo é liquidez e rendimento no curto prazo, o CDI é a referência certa. O IGPM perdeu espaço nos investimentos e hoje aparece principalmente em contratos de aluguel.
CDB a 100% do CDI vale a pena?
Depende — e essa é sempre a resposta honesta quando o assunto é investimento.
Um CDB a 100% do CDI é uma boa referência de mercado. Não é o produto com maior rentabilidade disponível, mas é seguro (com a cobertura do FGC até R$ 250 mil), simples e amplamente oferecido. A pergunta certa não é se vale a pena em abstrato, mas se vale a pena comparado às suas alternativas — dado o seu prazo e objetivo.
Compare sempre com LCI e LCA: como vimos na tabela acima, a isenção de IR muda o jogo. Uma LCI que rende 90% do CDI pode ter rendimento líquido maior do que um CDB a 100% do CDI depois do imposto — especialmente em prazos mais curtos, quando a alíquota de IR é mais alta.
O prazo importa: para quem vai precisar do dinheiro em menos de 6 meses, o IR de 22,5% sobre o rendimento do CDB reduz bastante o retorno líquido. Para prazos acima de 2 anos, a alíquota cai para 15% e o CDB se torna mais competitivo.
A conclusão prática: um CDB a 100% do CDI com liquidez diária é uma das melhores opções para reserva de emergência — seguro, acessível e com rendimento consistentemente acima da poupança. Para objetivos de médio e longo prazo, vale comparar quanto rende 100% do CDI líquido contra as alternativas isentas e o Tesouro Direto antes de decidir.
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