CARTA DE MERCADO
Panorama Macroeconômico
Global e Cenário Doméstico
Fed sem espaço para cortar juros, IA impulsiona bolsas nos EUA e real se valoriza 9% no ano.
Por aqui, inflação persistente mantém o BC em alerta.
Por Natalia Bonnas
AAI – ANCORD · Assessor de Investimentos
Niterói (RJ), 01/06/2026
Selic (Focus 2026)
13,25%
corte menor que o esperado
IPCA 12 meses
4,64%
projeção 2026: 5,09%
USD/BRL
R$ 5,02
real +9% no ano
Ibovespa
172.000
6ª semana de queda
Petróleo (WTI)
US$ 95
em recuo
Macroeconomia — Brasil e Mundo
Contexto Internacional
O mês de maio terminou, e a última semana entregou dados importantes que servem como termômetro da economia americana. O PIB dos Estados Unidos foi revisado para baixo, de 2,0% para 1,6%. Essa nova leitura reflete menor investimento em estoques e nos gastos do consumidor, com os gastos relacionados à inteligência artificial impulsionando a atividade econômica. O PCE (índice de inflação preferido do Fed para decisões sobre juros) avançou 0,4% em abril, e agora registra uma inflação de 3,8% nos últimos 12 meses. Atividade mais fraca e inflação persistente evidenciam o espaço cada vez menor para atuação da política monetária. A última ata do FOMC já sinalizava que parte dos membros avaliava a possibilidade de alta de juros se a inflação não cedesse. Na sexta-feira (05), importantes dados de mercado de trabalho, como Payroll e taxa de desemprego, podem ajudar o comitê a definir o movimento dos juros na próxima reunião, marcada para 16 e 17 de junho.
“PIB revisado para 1,6% e inflação persistente em 3,8% — o Fed tem cada vez menos espaço para cortar juros.”
Nas bolsas americanas, os índices seguem como cavalos de corrida. O Nasdaq 100 atingiu a marca histórica dos 30 mil pontos. Já o S&P 500 também bateu recordes, ultrapassando os 7.600 pontos. Se você, investidor, acredita que os múltiplos já estão muito esticados e que entrar nesse rali agora é pegar a festa no final, apostar contra a tese de inteligência artificial também não parece a ideia mais racional. A Dell Technologies reportou US$ 43,8 bilhões em receita, muito acima das expectativas do mercado. O vice-CEO da companhia, Jeff Clarke, anunciou que a empresa recebeu US$ 24,4 bilhões de IA só no trimestre e aumentou as expectativas de vendas de servidores de IA em 2026 para US$ 60 bilhões. Como resultado, a ação subiu mais de 40% na semana.
Contexto Doméstico
Começando por dados macroeconômicos, a inflação segue galopante devido ao conflito no Oriente Médio. O IPCA-15, considerado a prévia da inflação oficial do Brasil, registrou alta de 0,62% em maio. Dessa forma, o índice registra 4,64% no acumulado dos últimos 12 meses. Os analistas do mercado financeiro do Banco Central elevaram a projeção para o fim de 2026 pela 12ª semana consecutiva, em 5,09%. Outro dado importante que também passou por revisão altista foi o PIB, passando de 1,89% para 1,90%, registrando a segunda alta consecutiva. Para a taxa básica de juros (Selic) ao fim de 2026, a expectativa segue em 13,25%.
“A projeção de inflação foi revisada para cima pela 12ª semana seguida — e o Banco Central segue com dados mistos nas mãos.”
O impasse que se cria é que, diante de uma inflação persistente, de uma forte atividade econômica e de um mercado de trabalho ainda resiliente, o Banco Central fica com dados mistos, tendo a responsabilidade de cumprir sua principal obrigação, que é assegurar a estabilidade de preços. Como a inflação é um temor histórico na nossa economia, a autarquia tende a dar um peso maior a essa variável na dinâmica do ciclo de corte de juros, e tudo indica que a magnitude no corte das taxas será diferente da expectativa inicial.
O cenário que pode suavizar essas perspectivas é o acordo de paz entre Estados Unidos e Irã sendo selado oficialmente. Dessa maneira, o preço do petróleo, que já está negociando abaixo de US$ 100 (atualmente em US$ 95,24) continua a ceder, e tende a minimizar no longo prazo o efeito do choque de oferta de energia. No câmbio, o real se valoriza 9% no ano, sendo cotado a R$ 5,02, com o diferencial de juros mantendo o carry trade atrativo. O Ibovespa segue cedendo pelo sexta semana consecutiva, chegando ao nível dos 172 mil pontos.
Fechamento Semanal — Variação da Carteira
Desempenho por Ativo
A tabela abaixo apresenta o desempenho individual de cada ativo da carteira no mês de maio, bem como a variação consolidada frente ao Ibovespa no mesmo período.
Troca de SANB11 por AXIA3. Troca pontual acreditando na reversão à média do preço da companhia de energia.
-4,97%
2,23%
Troca de CXSE3 por DIRR3. Apesar de retirar da carteira um ativo defensivo como a seguradora, a aposta passa a ser na reversão à média do preço da construtora.
-6,1%
1,1%
O perfil defensivo da carteira conseguiu gerar alfa em cima do benchmark. Próximo rebalanceamento: 16/06
-6,483%
0,72%
Carteira reduziu exposição em PETR4, e aumentou a exposição em TOTS3, RENT3 e B3SA3.
-52,53%
1,68%
Apesar de um risco maior no perfil das empresas, a carteira conseguiu gerar alfa frente ao benchmark.
Ponto de Atenção da Semana
O que Aconteceu
- A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que busca extinguir a escala 6×1 foi aprovada em dois turnos na Câmara dos Deputados. Agora, o texto segue para o Senado para novas rodadas de votações.
- Nova regra que limita uso do FGC para atrair investidores começa a valer. Após a crise do Banco Master, o Banco Central editou norma que busca evitar que bancos usem a garantia do fundo como atrativo e obriga ajustas na aplicação de recursos.
Impacto Esperado sobre os Ativos
A respeito da proposta que pode vir a entrar em vigor, analistas e economistas discutem os impactos na atividade econômica da nova escala de trabalho. Já em relação à nova regra do FGC, a oferta de ativos de crédito privado, como CDBs, LCIs e LCAs, por parte dos bancos precisará acompanhar um indicador chamado “ativo de referência”.
Na prática, ele funciona como uma espécie de termômetro da saúde financeira da instituição, ao medir a qualidade e a diversidade dos investimentos que ela tem.
O que Monitorar nos Próximos Dias
No calendário econômico da primeira semana de junho, destaque para importantes dados de mercado de trabalho americano. Na sexta (05/06), dados de Relatório de Emprego não-agrícola (Payroll) e a taxa de desemprego, projetada para 4,3%, serão divulgados.
No cenário doméstico, dados de produção industrial da balança comercial serão divulgados, em uma semana que tende a ter um mercado mais calmo devido ao feriado prolongado de CorpusChristi.
Este documento tem caráter informativo e não constitui recomendação de investimento.